A Geografia das pandemias: o que faz um novo vírus surgir em determinado lugar do mundo

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

A gripe espanhola de 1918 começou nos Estados Unidos. O zika estava restrito às ilhas da Polinésia Francesa, no Oceano Pacífico, mas atravessou o mundo e virou preocupação no Brasil. A gripe suína de 2009 brotou em fazendas do México antes de colocar o mundo inteiro em pânico. O Sars-CoV-2, coronavírus causador da covid-19, foi detectado pela primeira vez na cidade de Wuhan, na China.

Mas, afinal, o que define o local e a hora de nascimento de uma pandemia? E quais características permitem que um vírus até então pouco conhecido comece a afetar, de uma semana para outra, milhares ou milhões de pessoas de todos os continentes?

Os conhecimentos básicos de biologia até podem explicar o processo. Mas as transformações sociais, políticas e econômicas pelas quais o mundo passa atualmente deixam o cenário favorável para que novas crises sanitárias desse tipo fiquem ainda mais comuns daqui para frente

Um determinado vírus pode circular por um tipo de animal rotineiramente, durante milhares de anos. Há coronavírus, por exemplo, que só afetam morcegos, gatos ou camelos. Mas, ao longo desse processo, pode acontecer alguma mudança que faça o patógeno pular para outra espécie.

"Na natureza, os vírus passam por mutações aleatórias o tempo todo. Nesse jogo de tentativa e erro, ocorrem alterações em alguns genes para torná-lo apto a infectar seres humanos", explica o virologista Paulo Eduardo Brandão, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo.

FONTE: BBC NEWS BRASIL/SÃO PAULO